domingo, 22 de julho de 2012

A Delicadeza do Amor



Nem sei direito como começar a falar sobre esse filme. Posso assegurar que ele está, no momento, no topo da minha lista de filmes preferidos.
Já escrevi em outros posts o que me fascina no cinema, e um dos grandes prazeres que tenho é me emocionar com um filme. A Delicadeza do Amor cumpre essa função.
O filme é exatamente a tradução literal do título, fala sobre como deve ser o amor: delicado, generoso, atencioso, altruísta e ilimitado. Qualquer coisa diferente disso tem outro nome...
A história tem como personagem principal Nathalie Kerr (Audrey Tautou), uma mulher bonita e feliz no casamento que num infortúnio fica viúva e perde o grande amor de sua vida.
Ela então se fecha para o mundo, até se deixar conquistar por um colega de trabalho, Markus Lundi (François Damiens), desprovido de atributos físicos e aparentemente desinteressante. Aí é que está a beleza do filme, o amor não se baseia no que é óbvio, certo, racional e esteticamente perfeito. O amor é o encontro de almas, é sobre isso que se trata o filme.
A história tem como tema principal o amor entre um homem e uma mulher, mas também aborda o amor entre amigos e familiares.

PS: Para mim, Markus tem todas as características de um homem irresistível! Ficaram curiosos? Assistam o filme.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Shame



Shame é obra do diretor londrino Steve McQueen e tem como protagonista o competente Michael Fassbender  e Carey Mulligan como atriz coadjuvante. O filme narra a história de Brandon Sullivan: um homem maduro, bem sucedido, charmoso... e dependente de sexo. Para o personagem, não existe território que não possa ser explorado para alcançar o prazer.
Aparentemente ele acredita que sua dependência está em sincronia com a vida que escolheu, até sua irmã reaparecer em sua vida. Ela provoca nele sentimentos conflitantes e isso o perturba.
Ele se vê "obrigado" a tentar descobrir a diferença entre fazer amor e sexo. E ele fracassa.
O filme é um deleite para psicanalistas e afins, pois fomenta a discussão sobre sexo. Por que tanta dificuldade em se ter uma vida sexual plena? Será que é tão complicado conciliar afinidades intelectuais com sexo? Talvez sim... 
É muito bom (ou não) desejar alguém! Esse "ou não" se aplica a Brandon Sullivan que deseja um objeto proibido.
Como definir quem desejar? Dilema impossível de ser resolvido... Sugiro como regra básica: desejar quem possa retribuir seu desejo e se tiver sorte, seu afeto!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Um Conto Chinês



Pensei que eu não teria mais vontade de voltar a escrever sobre cinema, mas esse filme me inspirou.
Trata-se de uma boa comédia argentina dirigida por Sebastián Borenzstein e estrelada por Ricardo Darín (ator magnífico e protagonista de um dos meus filmes preferidos O Segredo dos seus Olhos). Os argentinos sabem fazer cinema tão bem... De vez em quando vale assistir filmes fora do padrão de Hollywood, o jeito de contar a história é diferente. Imagino que orçamentos restritos forçam o diretor a dar um enfoque maior ao enredo e a valorizar mais a interpretação.
Um Conto Chinês é a história de Roberto (Darín) um homem de meia idade que é solitário, ranzinza, cheio de manias e rituais, mas que também é honesto, generoso, sensível e sutilmente amoroso (conheço tanta gente assim, o que é uma besteira sem tamanho. Para que economizar afeto?). Bom, esse homem cheio de particularidades, encontra literalmente no meio da rua, um chinês perdido em Buenos Aires sem falar espanhol e sem dinheiro. Ele tenta se livrar dele de todas as formas, mas não consegue e mesmo a contragosto se vê obrigado a aprender a conviver com o oriental. O relacionamento dos dois é conturbado, conflituoso, afetuoso, sensível e extremamente engraçado. Adorei o filme porque Roberto retrata a essência da maioria dos seres humanos: não somos perfeitos, mas podemos fazer o bem!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Assalto ao Banco Central


Não sei porque alguns críticos de cinema são tão ácidos quando vão comentar filmes nacionais e tão condescendentes com filmes americanos. É claro que os americanos possuem técnicas cinematográficas de ponta e orçamentos mais generosos, mas nós temos tanta criatividade...
Acho que o cinema nacional ainda está engatinhando, mas tem tudo para dar certo. O exemplo disso é o filme "Assalto ao Banco Central" que tem um elenco talentoso (Lima Duarte, Giulia Gam, Tonico Pereira entre outros) e como diretor o veterano global  e estreante no cinema, Marcos Paulo.
O filme narra como foi o maior assalto ao Banco Central (mais de 160 milhões roubados por um túnel) e como os bandidos foram presos. Em uma frase eu contei o filme e com essa mesma simplicidade ele foi rodado. Isso não é necessariamente ruim, existe beleza no simples. O que os críticos reclamaram do filme foi o que eu mais gostei: seu humor. Pelo tema do filme poderíamos esperar algum suspense ou ação, mas isso não existe. Encontraremos alguma violência e muito bom humor. Um humor típico do brasileiro, um tanto estereotipado, mas genuinamente brasileiro.
O diretor Marcos Paulo está com câncer no esôfago e foi internado várias vezes durante as filmagens. Acredito que paradoxalmente ao que ele está vivendo, ele fez um filme leve. Talvez ele tenha usado a mesma leveza que precisamos para viver melhor.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Quebrando o Tabu


É um documentário que tem como âncora o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e aborda como os principais chefes e ex-chefes de nações mundiais (EUA, Holanda, Portugal, México, Suíça e Bolívia) lidam com o tráfico e consumo de drogas. O filme conta com a participação de Bill Clinton, Jimmy Carter, Paulo Coelho e Drauzio Varella (tem minha profunda admiração).
FHC defende a descriminalização somente da maconha (descriminalizar não é legalizar). Descriminalizar é deixar de ser crime o uso de algumas drogas, uso doentio, uso caracterizado pela dependência química=doença. E doença é tratada por médicos e não pela polícia! Legalizar é quando o estado passa a permitir e regular o comércio, como é feito com o álcool e cigarro. FHC não é a favor do uso de drogas, só é a favor da discussão. Segundo ele: "Só quem é burro não muda de opinião diante de fatos novos. Eu não tinha consciência da gravidade dessa questão das drogas e do que ela significava como tenho hoje. E, no Brasil, a consciência média na época era de que isso se resolvia com ação policial. Mas, nada funcionou. E eu não vi tudo isso. Errei."
Concluindo, o filme é excelente, extremamente inteligente, leva ao esclarecimento e a reflexão do assunto abordado. O diretor Fernando Grostein Andrade é um jovem rapaz bastante promissor!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Meia Noite em Paris


Sempre gostei do Woody Allen, assisto a seus filmes desde a minha adolescência, acho incrível como ele brinca com as neuroses e conflitos de todas as naturezas. Infelizmente muitas pessoas que eu conheço não gostam dele... Por isso, estou aqui escrevendo. Escrever é uma terapia. Woody Allen melhor que ninguém sabe disso.
Nos últimos anos, com os orçamentos cinematográficos reduzidos, Allen começou a rodar seus filmes em cidades que lhe proporcionam "incentivos financeiros". Foi assim em Londres (filmou o excelente Match Point e mais recentemente o Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos), Barcelona ( Vicky Cristina Barcelona) e agora em Paris. Concomitantemente com suas tramas, ele consegue fazer belíssimas tomadas das cidades filmadas. Não é diferente com Paris, ele fez a cidade ficar mais linda ainda, se é que isso é possível.
Falando do filme... Gostei muito, apesar de não apreciar o protagonista (Owen Wilson) como seu novo alter ego.
A história é sobre um escritor (Gil Pender) que faz roteiros para filmes hollywoodianos e descontente com o rumo de sua carreira, ele tira férias em Paris com sua noiva (Rachel McAdams) seu sogro e sogra burgueses. Entendiado com o roteiro das férias e também com as companhias, ele viaja no tempo e volta a Paris dos anos 20. Passeando por lá, ele encontra e fica amigo de Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dalí, T. S. Eliot, Man Ray, Luis Buñuel e tantos outros artistas e escritores que revolucionaram o mundo artístico e literário. Gil Pender fica encantado com a oportunidade de aprendizado, mas não deslumbrado a ponto de se perder em um mundo de ilusões. Na verdade está é a mensagem principal do filme: sonhar é preciso, mas é somente na realidade que podemos ter alguma felicidade.

Aviso: Woody Allen é um diretor que se ama ou se odeia, não tem meio termo. Também coloco nessa situação, David Lynch, Quentin Tarantino, Tim Burton e Pedro Almodóvar.
Meia Noite em Paris é criativo, inteligente, leve, divertido, mas se você sempre odiou Woody Allen não será esse filme que fará você mudar de idéia...